sexta-feira, 16 de março de 2012

A DOUTRINA DA IGREJA - ECLESIOLOGIA



Por: Jânio Santos de Oliveira
Presbítero e professor de teologia da Igreja Assembléia de Deus Taquara - Duque de Caxias- Rio de Janeiro
janio-construcaocivil.blogspot.com



A) Terminologia:

Bíblia - Derivado de biblion, “rolo” ou “livro” (Lc 4.17) Escrituras - Termo usado no Novo Testamento para, os livros sagrados do A.T., que eram considerados inspirados por Deus (2Tm 3.16; Rm 3.2). Também é usado no N.T. com referência a outras porções do N.T. (2Pe 3.16) Palavra de Deus - Usada em relação a ambos os testamentos em sua forma escrita (Mt 15.6; Jo 10.35; Hb 4.12)

B) Atitudes em Relação à Bíblia:

Racionalismo -

a. Em sua forma extrema nega a possibilidade de qualquer revelação sobrenatural. b. Em sua forma moderada admite a possibilidade de revelação divina, mas essa revelação fica sujeita ao juízo final da razão humana.

Romanismo -

A Bíblia é um produto da igreja; por isso a Bíblia não é a autoridade única ou final. Misticismo - A experiência pessoal tem a mesma autoridade da Bíblia. Neo-ortodoxia - A Bíblia é uma testemunha falível da revelação de Deus na Palavra, Cristo. Seitas - A Bíblia e os escritos do líder ou fundador de cada uma possuem igual valor. Ortodoxia - A Bíblia é a nossa única base de autoridade.

C) As Maravilhas da Bíblia:

1) Sua formação: levou cerca de 1500 anos. 2) Sua Unidade: Tem cerca de 40 autores, mas é um só livro. 3) Sua Preservação. 4) Seu Assunto. 5) Sua Influência.

II. REVELAÇÃO

A) Definição:

“Um desvendamentos; especialmente a comunicação da mensagem divina ao homem”

B) Meios de Revelação:

1) Pela Natureza (Rm 1.18-21; Sl 19)
2) Pela Providência (Rm 8.28; At 14.15-17)
3) Pela Preservação do Universo (Cl 1.17)
4) Através de Milagres (Jo 2.11)
5) Por Comunicação Direta (At 22.17-21)
6) Através de Cristo (Jo 1.14)
7) Através da Bíblia (1Jo 5.9-12)

III. INSPIRAÇÃO

A) Definição:

Inspiração é a ação supervisionadora de Deus sobre os autores humanos da Bíblia de modo a, usando suas próprias personalidades e estilos, comporem e registrarem sem erro as palavras de Sua revelação ao homem. A Inspiração se aplica apenas aos manuscritos originais (chamados de autógrafos).

B) Teorias sobre a Inspiração:

1) Natural - não há qualquer elemento sobrenatural envolvido. A Bíblia foi escrita por homens de grande talento.

2) Mística ou Iluminativa - Os autores bíblicos foram cheios do Espírito como qualquer crente pode ser hoje.

3) Mecânica (ou teoria da ditação) - Os autores bíblicos foram apenas instrumentos passivos nas mãos de Deus como máquinas de escrever com as quais Ele teria escrito. Deve-se admitir que algumas partes da Bíblia foram ditadas (e.g., os Dez mandamentos).

4) Parcial - Somente o não conhecível foi inspirado (e.g., criação, conceitos espirituais)

5) Conceitual - Os conceitos, não as palavras, foram inspirados.

6) Gradual - Os autores bíblicos foram mais inspirados que outros autores humanos.

7) Neo-ortodoxa - Autores humanos só poderiam produzir uma registro falível.

8) Verbal e Plenária - Esta é a verdadeira doutrina e significa que cada palavra (verbal) e todas as palavras (plenária) foram inspiradas no sentido da definição acima.

9) Inspiração Falível - Uma teoria, que vem ganhando popularidade, de que a Bíblia é inspirada mas não isenta de erros.

C) Características da Inspiração Verbal e Plenária:

1) A verdadeira doutrina é válida apenas para os manuscritos originais.
2) Ela se estende às próprias palavras.
3) Vê Deus como o superintendente do processo, não ditando aos escritores, mas guiando-os.
4) Inclui a inerrância.

D) Provas da Inspiração Verbal e Plenária:

1) 2Tm 3.16. Theopneustos, soprado por Deus. Afirma que Deus é o autor das Escrituras e que estas são o produto de Seu sopro criador.
2) 2Pe 1.20,21. O “como” da inspiração - homens “movidos” (lit., “carregados”) pelo Espírito Santo.
3) Ordens especificas para escrever a Palavra do Senhor (Ex 17.14; Jr 30.2).
4) O uso de citações (Mt 15.4; At 28.25).
5) O uso que Jesus fez do Antigo Testamento (A.T.) (Mt 5.17; Jo 10.35).
6) O N.T. afirma que outras partes do N.T. são Escrituras (1Tm 5.18; 2Pe 3.16).
7) Os escritores estavam conscientes de estarem escrevendo a Palavra de Deus (1Co 2.13; 1Pe 1.11,12)

E) Provas de Inerrância:

1) A fidedignidade do caráter de Deus (Jo 17.3; Rm 3.4).
2) O ensino de Cristo (Mt 5.17; Jo 10.35).
3) Os argumentos baseados em uma palavra ou na forma de uma palavra (Gl 3.16, “descendente”; Mt 22.31,32, “sou”).

IV. CANONICIDADE.

A) Considerações fundamentais:

1) A Bíblia é auto-autenticável e os concílios eclesiásticos só reconheceram (não atribuíram) a autoridade inerente nos próprios livros.
2) Deus guiou os concílios de modo que o cânon fosse reconhecido.

B) Cânon do Antigo Testamento (A.T.):

1) Alguns afirmam que todos os livros do cânon do A.T. foram reunidos e reconhecidos sob a liderança de Esdras (quinto século a.C.).
2) O N.T. se refere a A.T. como escritura (Mt 23.35; a expressão de Jesus equivaleria dizer hoje “de Gênesis a Malaquias”; cf. Mt 21.42; 22.29).
3) O Sínodo de Jamnia (90 A.D.) Uma reunião de rabinos judeus que reconheceu os livros do A.T.

C) Os princípios de Canonicidade dos Livros do Novo Testamento (N.T.):

1) Apostolicidade. O livro foi escrito ou influenciado por algum apóstolos?
2) Conteúdo. O seu caráter espiritual é suficiente?
3) Universalidade. Foi amplamente aceito pela igreja?
4) Inspiração. O livro oferecia prova interna de inspiração?

D) A Formação do Cânon do Novo Testamento (N.T.):

1) O período dos apóstolos. Eles reivindicaram autoridade para seus escritos (1Ts 5.27; Cl 4.16).
2) O período pós-apostólico. Todos os livros forma reconhecidos exceto Hebreus, 2 Pedro e 3 João.
3) O Concílio de Cartago, 397, reconheceu como canônicos os 27 livros do N.T.

V. ILUMINAÇÃO

A) Em Relação aos Não-Salvos:

1) Sua necessidade (1Co 2.14; 2Co 4.4) 2) O ministério do convencimento do Espírito ( Jo 16.7-11)

B) Em Relação ao Crente:

1) Sua necessidade (1C0 2.10-12; 3.2). 2) O ministério do ensino do Espírito (Jo 16.13-15)

VI. INTERPRETAÇÃO

A) Princípios de Interpretação:

1) Interpretar histórica e gramaticalmente. 2) Interpretar de acordo com os contextos imediatos e mais amplos. 3) Interpretar em harmonia com toda a Bíblia, comparando Escritura com Escritura.

B) Divisões Gerais da Bíblia:

1) Antigo Testamento (A.T.):

A- Livros históricos: de Gênesis a Ester.
B- Livros poéticos: de Jó a Cantares.
C- Livros proféticos: de Isaías a Malaquias.

2) Novo Testamento (N.T.):

A- Evangelhos: Mateus a João.
B- História da Igreja: Atos.
C- Epístolas: de Romanos a Judas.
D- Profecia: Apocalipse.

Fonte: “A Bíblia Anotada”

1. A EXISTÊNCIA DE DEUS

1.1. O Deus único
A existência de Deus é um fato incontestável. A Bíblia não se preocupa em provar essa existência, mais começa o seu primeiro versículo falando de Deus. mostrando-o como a principal personagem em todo o Universo "‘No principio, criou Deus os céus e a terra" (Gn: I). Deus existe desde a eternidade e Ele é a origem de tudo, Aquele que tudo governa e sustenta.

Uma conseqüência do pecado é a cegueira característica dos incrédulos ocasionada pelo príncipe deste século, para que não vejam a glória de Deus (c.f. 2 Co. 4:4). Nessa cegueira espiritual, os homens se fizeram deuses e senhores. A Bíblia afirma: "Há muitos deuses e muitos senhores" (1 Co.8Ô). Porém, no meio desses deuses que estão espalhados sobre o vasto campo desse mundo, como pedrinhas de todo tamanho, ergue-se o Deus Verdadeiro como uma grande colina que se distingue dessas pequenas pedras da sua incomparável grandeza. A Bíblia‘ afirma: "O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor" (Dt. 6:4) e "Nenhum outro há, senão Ec" (At.4:35; Is.42:8 e 44:6-8). Verdadeiramente. "Só o Senhor é Deus" (1 Rs. 18:39).

Daí a necessidade de que conheçamos e prossigamos em conhecer o Senhor" ( Os. 6:3). A Bíblia diz: "Porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que Ele existe" (Hb.l ] :6). Os que crerem em .Deus e o buscarem legitimamente experimentarão "‘que Ele existe e que é galardoador dos que o buscam" (Hb.l1:6).

1.2. Evidencias que provam à existência de Deus o inimigo das nossas almas tem procurado completar a desgraça causada pelo pecado, fazendo com que os homens cheguem ao ponto de negar a existência de Deus. Negar a Deus é tolice- tanto como alguém querer negar a existência do sol, porque não o ver, por estar coberto por nuvens. A Bíblia diz: "disseram os néscios no coração: não há Deus" (SI. 14: 1 ), e ainda: "Por causa do seu orgulho, o ímpio não investiga; todas as suas cogitações são: Não há Deus" (SI.10:4). Existem, porém, varias evidencia para os que desejarem "Investigar", para que tenham certeza de que há um Deus.

1.2.1. A crença universal em um ser supremo
Não existe nenhuma raça humana que não tenha alguma noção de um ser supremo e que, através das suas religiões, procure se aproximar dele e agradar-lhe retratando-se com ele por meio de sacrifícios, inclusive de sangue... Muitas vezes é realmente um "deus desconhecido" e, na sua cegueira, estão tateando para achá-Io ( At. 17:23,27). A Bíblia diz: "Porquanto o que de Deus se pode conhecer nele se manifesta" (Rm 1. 19).

ealmente, o homem foi criado por Deus conforme a sua imagem ( Gl.. 1 :26). Ele tem em si partículas dessa sua origem divina, e por isso existe nele uma necessidade de um contato com a sua origem- Deus.

1.2.2. A Consciência
A consciência.. que no intimo do homem dá uma sentença moral sobre os seus atos praticados. sejam bons ou maus, fala da existência de uma origem superior que no homem fez registrar os princípios da lei divina. "Porque. quando os gentios que não tem lei. fazem naturalmente as coisas que são da lei... os quais mostram a obra da lei escrita no seu coração. testificando juntamente a sua consciência e os seus pensamentos, que acusando-os, que defendendo-os" (Rm.2:14.15). A consciência universal nos faz compreender que o Ser supremo é um Ser moral.

1.2.3. A revelação geral
A criatura do mundo e tudo que nele há. fala da existência de um Criador. "Os céus manifestam a gloria de Deus e o firmamento anuncia a obra das suas mãos" (SI.19: I).

"Tanto o seu eterno poder como a sua divindade, se entendem claramente se vêem pelas coisa que estão criadas" (Rm. t :20). Como um relógio fala da existência de um relojoeiro. Assim a criação fala de um Criador que é poderoso.

1.2.4. A revelação especial
A Bíblia, a revelação divina escrita, revela claramente a existência de Deus. Na Bíblia temos um documento autenticado, que nos faz conhecer a Deus através da sua própria revelação. Assim como alguém que quiser conhecer a História, Ciência ou qualquer outra matéria, procura estudar a literatura adequada para conseguir o conhecimento desejado, assim também aquele que verdadeiramente que fazer a vontade de Deus conhecerá se essa doutrina é de Deus ou não.

1.2.5. Deus entre nós
Jesus. Filho de Deus. Cuja existência e vida nesse mundo estão historicamente comprovada, veio para revelar Deus aos Homens ( Lc. ] 0:22) e o fazer conhecer ( Jo. I: 6). O caminho mais curto para conhecer a Deus é aceitar a Jesus como o seu Salvador, porque Ele é o caminho para o Pai ( Jo. 14:6).

1.2.6. A evidência pessoal
A experiência pessoal da salvação. por meio do sangue de Jesus Cristo. faz com que nos aproximemos de Deus ( Ef. 2: 13), e temos, então, absoluta certeza da existência dEle, por que o espírito do seu Filho clama em nós: "Aba, Pai" (01.4:6), e nós podemos, com toda tranqüilidade. Orar no coração: "Pai nosso. que estais nos céus" (Mt. 6:9).

2. DEUS É REVELADO ATRAVÉS DOS ATRIBUTOS DA SUA DINVIDADE

Atributo é uma característica essencial de um ser, aquilo que lhe é próprio. Os atributos de Deus são singulares e perfeitos. Só Ele os tem de modo absoluto.

1.1 Deus é vivo!

2.1.1. "‘Ele mesmo é o Deus vivo" (Jr. 10.10)

A vida é uma expressão de existência, seja terrestre ou eterna... Quem tem vida, tem condições de se comunicar com os outros que tem vida. Enquanto os "deuses" feitos por mão dos homens "tem boca., mais não fala tem olhos, mais mão vêem; tem ouvidos, mais não ouvem; nariz tem, mais não cheiram." (SI.I15:4-8). "Mais o nosso Deus está nos céus e faz tudo o que lhe apraz" (SI.115:3). Por isso, os homens são convidados pelo Evangelho a se converter dos ídolos para o Deus vivo e verdadeiro ( I Ts. I :9 At. 14: 15). E os que assim fazem permanecem a Igreja do "Deus vivente" (2 Co. 6:16).

2.1.2. Deus e também a fonte da vida
Ele tem a vida em si mesmo ( Jo. 5:26), e "dá todos a vida.. a respiração e todas as coisa" (Al. 17:25) no sentido terrestre. "E a todos que o conhecerem por único Deus verdadeiro e a Jesus Cristo a quem ele enviou, Ele dá a vida eterna" ( Jo. 17:3;

I Jo. 5:20). E essa vida é a luz do mundo (cf. Jo. 1 :4). 2.2. Deus tem personalidade "Personalidade é o conjunto de características cognitivas, efetivas(. volitivas e físicas de um indivíduo e da vida anima)".

A Bíblia fala da "pessoa de Deus". Retratada Jesus como "sendo o resplendor da sua glória e a expressa imagem da sua pessoa [de Deus]" ( Hb. 1:3; Jó. 13:8). Enquanto várias filosofias agnóstica..c; -- entre elas o panteísmo - afirmam que Deus é somente uma "força impessoal" ou que "Deus é a natureza" e se identifica com a sua criação, aí está Deus, a Bíblia revela Deus como uma Pessoa divina que possui todas as características de uma individualidade.

Se Deus não tivesse personalidade com a qual pudesse comunicar-se, os homens não teriam jamais a sua sede do Deus vivo saciada (SI. 42:2). Porque jamais entrariam em contato com Ele. Mas o nosso Deus é vivo e tem personalidade.

2.2.1. Jesus revela o Pai
Jesus veio revelar aos homens o Pai ( Lc. 10:22) e fazê-Io conhecido (cf. Jô. I : 14). Vejamos alguma coisa que Jesus revelou a respeito da personalidade de seu Pai.

. Jesus falou de Deus muitas vezes como sendo o seu Pai: Ele disse: "Meu Pai e vosso Pai" (10. 20: 17). Foi Jesus que nos ensinou a orar: "Pai nosso" (Mt. 6:9). Quem é Pai possui uma personalidade.

. Jesus usou, quando centenas de vezes falou de seu Pai. Um pronome pessoal: Ele disse: "E todas as minhas coisas são tuas, e as tuas coisas são minhas. ... Vou para ti" ,Jo. 17: I 0,1 1). O uso de pronomes pessoais subentende a sua personalidade.

. Jesus falou de atividades de seu Pai que só são atribuídas a uma pessoa: Ele disse: - eu Pai trabalha" (Jo. 5:17); "o Pai ama" (Jo. 3:35); "a obra de Deus é esta: que .:reais naquele que ele enviou" (Jo. 6:29); "o Pai ama o Filho e mostra-lhe tudo o que faz- do. 5:20). Falou da vontade de seu Pai ( Jo. 6:39,40), expressão que só atribui a ~ pessoa. Assim, necessariamente, Ele é uma Pessoa. Jesus disse: ‘‘‘Meu Pai é o agricultor (Jo. 15: I), nome que só é atribuído a uma pessoa com personalidade.

2.2.2. A personalidade revelada

Deus falou muitas vezes de si mesmo, usando vários nomes. que por si revelam a sua perfeita personalidade. Quando Moisés questionou sobre qual seria o seu nome, Deus respondeu-lhe: "EU SOU O QUE SOU. Disse mais: Assim dirás aos filhos de Israel: EU SOU me enviou a vós" (Ex. 3:14). É impossível imaginar uma expressão mais forte de uma personalidade do que essa!

2.3. Deus é eterno
"Mas o Senhor Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo e o Rei eterno" (Jr.l0:l0). Em Romanos 16:26, lemos a respeito do "Deus eterno". Abraão plantou um bosque em Berseba e invocou lá o nome do Senhor - Deus eterno (cf. Gn. 21 :33). Quando Moisés, despedindo-se, abençoou as tribos de Israel, usou o nome de "Deus eterno" (cf. D1. 33:27).

2.3.1. Deus é inalterável
Eternidade é o infinito quando aplicado ao tempo. Deus não tem inicio. "De eternidade a eternidade, tu és Deus" (SI. 90:2; I Cr. 29: 10; Hc. I: 12). Ele tem auto-existência, um atributo do eterno Deus. Não deve sua existência a ninguém, porque Ele é o principio e o fim, o Alfa e o Omega (cf. Ap. 1 :8; Is. 44:6). Ele é Jeová (nome usado 6.437 vezes)- "a eterna auto-existência do único Deus".

2.3.2. Deus não está sujeito ao tempo
Para Ele o passado. o presente e o futuro são um eterno presente. O domínio e o poder pertencem ao único Deus. "antes de todos os séculos, agora e para todo sempre" (cf. Jd. 25). Por isso é "que um dia para o Senhor é como mil anos. como um dia" (2 Pd. 3:8). Os anos de Deus nunca terão fim (cf. SI. 102:27). Ele é o Rei dos séculos ( I Tm. 1:17). Deus habita na eternidade ( Is. 57:15) e o seu trono é desde a eternidade ( SI. 92:2). O eterno Deus não se cansa ( Is. 40:28). Este eterno Deus é o nosso Deus.

2.3.3. Deus é imortal ( 1 Tm. t: 17; 6: 16)
É por isso que Ele pode ser eterno. Ele permanece para sempre ( SI. 102: 12). Os sacerdotes foram impedidos pela morte de permanecer no seu serviço (cf. Hb. 7:23), mas Deus é para sempre. Os deuses deste mundo tiveram um principio e um fim, mas Deus é imortal - Ele é para sempre. 2.3.4. Deus é imutável ( SI. 102:27; MI. 3:6; Tg. 1:17; Hb. 1:12; 6:17,18)

O Senhor é o mesmo (cf. Hb. 13:8). Nunca pode mudar. Deus não pode melhorar. porque sempre foi perfeito. Ele jamais pode tomar atitudes que não se harmonizem com sua perfeita personalidade. Ele não pode negar a si mesmo (cf. 2 Tm. 2: 13 L2.4. Deus é espírito Jesus veio para revelar Deus aos homens, afirmando que Ele é espírito ( Jo. 4:23). Não disse: Deus é "um espírito", mas "espírito". Que significa isso?

2.4.1. A essência
Sendo Deus espírito, ele não tem um corpo de substância material. com sangue, carne. Ele tem um corpo espiritual (cf. 1 Co. 15:44). Embora o corpo espiritual tenha forma, porque Jesus veio em "forma de Deus" ( Fp. 2:6) e foi a expressa imagem da sua pessoa (cf. Hb. 1:3; 2 Co. 4:4; Cl. 1:15), não podemos imaginar qual seja esta forma! Embora a Bíblia fale do rosto de Deus ( Ex. 33:20) e de sua boca ( Nm. 12:8) e de seus lábios ( Is. 30:27), olhos ( SI. 11:4 e 18:24), ouvidos ( Is. 59: I), mãos e dedos ( SI. 8:3-6). pés ( Ez. 1 :27) etc. não devemos por isso procurar materializar Deus e em nossa mente criar urna imagem divina correspondente a essas expressões, comparando-a com um corpo humano! A Bíblia diz que nós devemos nos preocupar se a divindade deve possuir a forma que lhe é dada pela imaginação dos homens (cf. At. 17:29).

É por isso que Deus adverte: "Para que não vos corrompais e vos façais alguma escultura, semelhança de imagem, figura de macho ou de fêmea" (Dt. 4:16). Essa tentação provém do desejo de procurar materializar Deus.

Deus é espírito e a sua natureza é essencialmente espiritual. Ele jamais está sujeito à matéria. Nós também não devemos procurar chegar a alguma imagem ou visão física de Deus, mas esperar aquele grande dia quando nós o veremos como Ele é (1 Jo. 3:2; 1 Co. 13:12).

2.4.2. Deus é incomensurável
lncomensurabilidade é o infinito quando aplicado ao espaço. Assim como é impossível imaginar a forma de Deus, também é impossível medir, pensar ou fazer algum calculo a respeito de Deus. Não existe numero ou expressões que possam nos fazer compreender Deus (SI. 71:15; 40:5 e 139:6,17,18). Medida nenhuma pode par idéia de sua grandeza (Jo.l1 :9: 1 Rs. 8:27). Nenhum calculo de peso pode fazer-nos compreender o seu "peso de glória" (2 Co. 4: 17). Deus é espírito, e na sua imensidade não está sujeito ao espaço.

2.4.3. Deus é invisível (d. Rm. 1:20; CI. I: 15)
Sendo Deus espírito, a matéria não pode vê-Io. Isto não impede que Ele esteja presente no meio do seu povo. Não somente Noé (Gn. 5:29) ou Enoque (Gn. 5:24) andavam com o Deus invisível. É o privilégio de cada crente (CI. 9:2-6; I Ts. 4: I ), "Porque andamos por fé e não por vista" (11 Co. 5:7).

2.5. Deus é uma triunidade
Esta é uma das grandes doutrinas da Bíblia. A palavra "triunidade" não existe na Bíblia, mais a verdade sobre o único Deus, que é o Pai, o filho e o Espírito, se encontra em toda a Estrutura, desde os primeiros versículos (Gn. I: 1-3) até o último capítulo (Ap. 22:3.17). Nos últimos tempos surgirão falsos ensinamentos que negarão essa doutrina I Jo. 2.18-23), motivo porque devemos conhecer bem o que a Bíblia ensina sobre ISSO.

2.5.1. A Bíblia afirma que há um só Deus
A Bíblia fala que "O Senhor, nosso Deus, é o único Senhor" (D1. 6:4). Jesus disse: "Deus é o único Senhor" (Mc. 12:29). A doutrina monoteísta (crença em um só Deus) é intocável na Bíblia. Aparece como o primeiro mandamento da Lei (Ex. 20:2.]). Existem muitos deuses e muitos senhores, mas um só Deus ( I Co. 8:5,6). A Bíblia usa, em Gêneses 1.1 e em mais 2.700 outras passagens, a palavra E/ohimpara expressar Deus. Elohim é um substantivo na forma plural, isto é, que inclui uma plural idade de personalidades em uma só pessoa. Também a palavra “única”, ligada a Deus (D1. 6:4), vem da palavra hebraica achad, que indica uma unidade composta (quando essa palavra é usada no sentido absoluto, é, empregada a palavra yacheed). Quando Deus fala de si, em várias ocasiões, usa a forma plural. "Façamos o homem" (Gn.l :26) Eia, desçamos" (Gn. 11 :7); "Quem há de ir por nós‘?" (Is. 6:8).

2.5.2. Três pessoas na Bíblia são chamadas de "Deus"
Três pessoas são chamadas de "Deus": o Pai é chamado Deus (1 Co. 8:6; Ef. 4:6); o Filho (I Jo. 5:20; Is. 9:6; Hb. 1:8); o Espírito Santo (Al. 5:3,4). Para todos três são usados pronomes pessoais: para Deus Pai ( Is. 44:6), para Deus Filho (cf. Me. 9:7) e para Deus Espirito Santo ( Jo. 16:13). Os três são mencionados em João 14:16. A todos três são atribuídas características que só pessoas podem ter. Os três tàlan1, amam, sentem, chamam, ouvem ele. A todos três são dados atributos divinos:

• Eternidade: Pai (SI. 90:2); Filho (Cl. I: 17); Espírito Santo (Hb. 9:] 4). • Onipresença: Pai (Jr. 23:24); Filho (M1. 28: 19); Espírito Santo (SI. 139:7). • Onisciência: Pai (I Jo. 5:20); Filho (Jô. 21: 17); Espírito Santo (1 Co. 2: 10). • Onipotência: Pai (On. 17: I); Filho (Mt. 28: 18); Espírito Santo (1 Co. 12: 11). • Santidade: Pai (I Pe. 1: 16); Filho (Lc. I :35); Espírito Santo (Ei: 4:30). • Amor: Pai (1 Jo. 4:8,16); Filho (Jr. 3: 19); Espírito Santo (Rm. 15 :30). • Verdade: Pai (Jr. 10:10); Filho (Jo. 14:6); Espírito Santo (Jo 16:13).

2.5.3. As três Pessoas divinas são um só Deus
A Bíblia afirma que os três são um (1 Jo. 5:7). Ensina que estas três pessoas estão unidas reciprocamente. A união entre o Pai e o Filho (10. 10:30; 14: 11; 17: 11,22,23; 2 Co. 5: 19). A união entre o Pai e o Espírito Santo, expressado em "Espírito de Deus" (Rm. 8:9). A união entre o Filho e o Espírito Santo: Espírito de Cristo (Rm. 8:9 ).

As três pessoas são mencionadas de uma só vez como pessoas distintas:

• Em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santo (M1. 28: 19). • Um só Espírito. ... Um só Senhor, ... Um só Deus (Ef. 4:4-6). • A graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus, e a comunhão do Espírito • Santo" (2 Co. 13:13). • "0 Espírito... o Senhor ... é o mesmo Deus" (l Co. 12:4-6). • "Porque, por ele, ambos temos acesso ao Pai em um mesmo Espírito" (Ef. 2:18)., • "Eleitos segundo a presciência de Deus, em santificação do Espírito, para a obediência e a aspersão do sangue de Jesus Cristo" (1 Pe. 1 :2).

2.5.4. A unidade absoluta das três Pessoas não desfaz a sua individualidade
Todas três são mencionadas no mesmo momento em lugares diferentes: o Filho foi batizado, o Espírito veio sobre Ele, enquanto o Pai falava dos céus ( Ml. 3: 16, 17). Estevão estava cheio do Espírito Santo, e viu Jesus à destra de Deus (cf. At. 7:55,56). As três Pessoas são mencionadas como Testemunhas. Conforme prescreve a Lei, eram necessárias duas ou três testemunhas (Dt. 19: 15.16). Embora as três Pessoas na realidade sejam apenas um (1 Jo. 5:7,8), são apresentadas como Testemunhas, porque numericamente são três: o Pai testifica (Rm. 1 :9), o Filho testifica (1 Jo. 5:6).

2.5.5. A Bíblia menciona as três Pessoas divinas operando a mesma obra, mas de diferentes modos
• A criação. O Pai criou (cf. On. 1:1; Jr. 10:10-12; SI. 89:11 e 102:25), pelo Filho ( Jo. 1 :2; 1 Co. 8:6; Hb. 1 :2), no poder do Espírito Santo ( Gn. 1 :2; SI. 104:30; Jó. 33:4 e 26:3).

• A Salvação. Deus predeterminou a salvação por Jesus ( At. 13:30-32), enviou o seu Filho ( Jo. 3: 1 6; 01. 4:6), o gerou ( SI. 2:7), estava em Cristo, reconciliando o mundo consigo ([ At. 13:30-32). O Filho se ofereceu desde a fundação do mundo ( Ap. 13:8), veio ao mundo (cf. Ap. 13:8), veio ao mundo ( Hb. 10:7) aniquilando a sua glória ( Fp. 2:7) e morreu na cruz ( Jo. 19:30). O Espírito Santo operou pela palavra profética ( 1 Pe. 1:10), na concepção de Jesus ( Lc. 1:35) e com Jesus no seu ministério (cf. Le. 3 :22; 5: 17 .); operou quando Jesus se ofereceu ( Hb. 9: 14), na sua ressurreição ( Rm. 8: 11) e na sua ascensão ( Ef. 1: 19,20). Agora Ele aplica a obra de Jesus na vida dos homens (10. 16: 15).

• O batismo. Jesus ordenou que fosse ministrado em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo ( Mt. 28: 19). O fato mencionado em Atos dos Apóstolos - que os apóstolos batizam em nome do Senhor (At. 2:38; 8:) 6: 10:48; 19:5) - é aproveitado pelos inimigos da doutrina da Trindade como "prova verídica" de que os apóstolos não acreditavam na doutrina Trinitariana, mas "só em Jesus". Esta seita nega a existência da Pessoa do Pai e do Espírito Santo, e só aceitam a Pessoa de Jesus. A origem desta doutrina é o espírito do anticristo ( 1 Jo. 2:22-24). E a explicação deste fato é simples! Quando os apóstolos batizavam em nome de Jesus, é porque eles foram enviados com autoridade para representarem a Pessoa de Jesus ( Lc. 24:47). Curavam em nome de Jesus (cf. Al. 3 :6; Me. 16: 17) e executavam a disciplina da Igreja em nome de Jesus (cf. 1 Co. 5:4-9, 13: 2 Ts. 3:6). Assim também batizavam em nome de Jesus. Porém, no ato do batismo, o ministravam conforme a ordem de Jesus: em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.

• Na vida ministerial. Deus pré-determina a chamada para o ministério antes de a pessoa ter nascido ( GI. 1: 15; Jr. 1 :5; Ef. 2: 10) e a chama ( Is. 6:8) e a envia ( Jr. 26:5). Jesus se revela para o chamado ( GI. 1:16), constrangendo-o a ir ( 2 Co. 5:14), separando-o ( Ml. 10:1.5) e operando com ele ( Me. J6:20). O Espírito Santo é o poder que capacita ( Al. 1 :8), opera na chamada ( At. 13:J,2).

• Na vinda de Jesus. Deus levará os crentes para si ( 1 Ts. 4:14). Jesus virá nas nuvens para buscar os crentes ( 1 Ts. 4: 16) e o Espírito Santo operará na ressurreição ( Rm. 8:11).




3. DEUS SE MANIFESTA ATRAVES DOS SEUS ATRIBUTOS EM RELAÇÃO A SUA CRIAÇÃO.

Deus é uma Personalidade divina que pode e quer se comunicar com a sua criação. A Bíblia manifesta os três atributos absolutos de Deus nessa sua comunicação. Isto é, sua Onipresença, sua Onisciência, sua Onipotência.

3.1 Deus é Onipresente

3.1.1 Que significa a Onipresença de Deus?
A palavra se deriva de duas palavras latina “omnes”, que significa tudo e “praesum” que significa presença – juntos todo presente esta próximo.

Deus disse: “Não encho eu os céus e a terra?” (Jr. 23.24; conf. Sl. 72.19). O Rei Salomão disse na sua inspirada oração “Eis que os céus e até o céu dos céus te não podiam conter” (I Rs 8.27) Isso fala da Onipresença de Deus, a qual é possível porque ele é Espírito (Jo 4.24). Ele não está sujeito à matéria! Não existe, portanto um Deus nacional ou um Deus local , porque Ele é o Deus do Universo. Por isso está escrito que Ele “não está longe de nenhum de nós” (At. 17.27; Rm 10.6-8).

3.2 – Deus é Onisciência

3.2.1 O que significa Onisciência?
A palavra se deriva de duas palavras latina “omnes”, que significa tudo e “scientia” que significaconhecimento. Deus é Espírito e, como tal, tem conhecimento. Ele é conhece todas as coisas, reais e possível texto: Mt. 11.21 As Escrituras ensinam que Deus é onisciente; Sua compreensão é infinita; Sua inteligência é perfeita.

3.2.2Sua realidade:
Romanos 11.33 Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos! Jó 11.7,8; Is. 40.28; Sl. 147.5; Dt. 29.29

3.3 – Deus é Onipotente

3.3.1 – O que significa onipotente?
A palavra se deriva de duas palavras latina “omnes”, que significa tudo, e “potentia” que significa poder e junta torna-se todo poderoso. Deus pode fazer todas as coisas, nada é por demais difícil para Ele; para Ele tudo é possível – Deus é Onipotente.

3.3.2 – Sua realidade:

Mateus 19.26 E Jesus, olhando para eles, disse-lhes: Aos homens é isso impossível, mas a Deus tudo é possível. Jó 42.2; Gn 18.14; Sl. 93.3,4; Jr. 32.17; Sl. 115.3.

DEUS E A SUA IGREJA

Afirmamos que a igreja é formada de todos aqueles que foram regenerados, unidos pelo Espírito Santo ao Senhor Jesus Cristo, o qual é o cabeça da igreja, e batizados pelo Espírito em um só corpo, quer judeus ou gentios passando a ter responsabilidades mútuas, todos, uns com os outros, para a manutenção da unidade do corpo.

Afirmamos que a igreja local é um "microcosmo" da igreja universal, o Corpo de Cristo, e é caracterizado pela assembléia voluntária de crentes, que andam em obediência a Cristo, com o objetivo de fazer a vontade de Deus (adoração, instrução, comunhão e evangelismo) e perseguir na vida pessoal à semelhança de Cristo, tendo líderes qualificados, cumprindo adequada e fielmente as ordenanças (Mt 6:16-18, Rm. 8:29, 12:5, 1Co.11:17-34, 12:12-27, Ef.4:11-14, Tt.1:7-9

1. Palavras que descrevem a igreja.

A palavra grega no Novo Testamento para igreja é "ekklesia", que significa "uma assembléia de chamados para fora". O termo aplica-se a:

• Todo corpo de cristãos em uma cidade (Atos.11.22,13.1.)

• Uma congregação. ( 1 Cor.14.19, 35. Rm.16.5).

• Todo corpo de crentes na terra. (Ef.5.32.).

2. Palavras que descrevem os Cristãos.

• Irmãos. A igreja é uma fraternidade ou comunhão espiritual no qual foram abolidas todas as divisões que separam a humanidade. Não há grego nem judeu", a mais profunda de todas as divisões baseadas na história religiosa é vencida; " não há grego nem bárbaro" , a mais profunda de todas as divisões culturais é vencida; " não há macho nem fêmea" , a mais profunda de todas as divisões humanas é vencida. (CI.3.11, GI.3.28.).

• Crentes . Os cristãos são chamados "crentes" porque sua doutrina característica é a fé no Senhor Jesus. (Atos 16:15)

• Santos. São chamados "santos" (literalmente consagrados ou piedosos) porque estão separados do mundo e dedicados a Deus.

• Os eleitos. Refere-se a eles como "eleitos" ou "escolhidos", porque Deus os escolheu para um ministério importante e um destino glorioso.

• Discípulos . São "discípulos"
(literalmente "aprendizes"), porque estão sob preparação espiritual com instrutores inspirados por Cristo.

• Cristãos . São "cristãos" porque sua religião gira em torno da pessoa de Cristo.

• Os do caminho. Nos dias primitivos muitas vezes eram conhecidos "os do caminho" (Atos 9.2) porque viviam de acordo com uma maneira especial de viver.

• 3.Ilustração da Igreja. Devemos lembrar que é somente uma ilustração, e não se deve forçar sua interpretação. O propósito dum símbolo é apenas iluminar um determinado lado da verdade e não o de prover o fundamento para uma doutrina.

• O corpo de Cristo. O Senhor Jesus Cristo deixou este mundo há mais de dezenove séculos, entretanto, ele ainda está no mundo. Com isso queremos dizer que sua presença se faz sentir por meio da igreja, a qual é seu corpo. (Ef. 1 :23, CI. 1: 18, 1 Co. 12:27

• O templo de Deus . (1 Ped.2:5,6.) um templo é um lugar em que Deus, que habita em toda parte, se localiza a si mesmo em determinado lugar, onde seu povo o possa achar "em casa". (Ex.25:8; 1 Rs 8:27). Assim como Deus morou no tabernáculo e no templo, assim também vive, por seu espírito, na igreja (Ef 2:21,22; 1Cor.3:16,17.) Neste templo espiritual os cristãos, como sacerdotes, oferecem sacrifícios espirituais, sacrifícios de oração, louvor e boas obras.

• A noiva de Cristo. Essa é uma ilustração usada tanto no Antigo como no Novo Testamento para descrever a união e comunhão de Deus com seu povo. (2Cor.11:2; Ef.5:25-27; Apoc.19:7; 21:2: 22:17.).

• O Pastor e as ovelhas . (Jo. 10:11).

• A Videira e os ramos . (Jo.15:5)

• A Pedra angular e as pedras do edifício (Ef 2:19-21). • O Sumo Sacerdote e um reino de sacerdotes (1 Pe2). h) A Cabeça e o corpo (1 Co 12:12).

• O Último Adão e a nova criação (Rm:5).

• O Noivo e a noiva, o marido e a esposa (Ef 5; Ap 9)

II A FUNDAÇÃO DA IGREJA

1. Considerada profeticamente.
Israel é descrito como uma igreja no sentido de ser uma nação chamada dentre as outras nações a ser um povo de servos de Deus. (Atos 7:38.) Quando o Antigo Testamento foi traduzido para o grego, a palavra "congregação" (de Israel) foi traduzida "ekklesia" ou "igreja". Israel, pois, era a congregação ou a igreja de Jeová. Depois de a igreja judaica o ter rejeitado, Cristo predisse a fundação duma nova congregação ou igreja, uma instituição divina que continuaria sua obra na terra (Mt.16: 18). Essa é a igreja de Cristo, que veio a ter existência no dia de Pentecoste.

2. Considerada Historicamente.
A igreja de Cristo veio a existir como igreja, no dia de Pentecoste, quando foi consagrada pela unção do Espírito. Assim como o tabernáculo foi construído e depois consagrado pela decida da glória divina (Ex. 40:34) assim os primeiros membros da igreja foram congregados no cenáculo e consagrados como igreja pela descida do Espírito Santo. Davi juntou os materiais para a construção do templo, mas a construção foi feita por seu sucessor, Salomão. Da mesma maneira, Jesus, durante seu ministério terreno, havia juntado os materiais da sua igreja, por assim dizer, mas o edifício foi erigido por seu sucessor, o Espírito Santo. Realmente, essa obra foi feita pelo Espírito, operando mediante os apóstolos que lançaram os fundamentos e edificaram a igreja por sua pregação, ensino e organização. Portanto a igreja é descrita como sendo "edificados sobre o fundamento dos apóstolos..." (Ef.2:20).

III. OS MEMBROS DA IGREJA

O Novo Testamento estabelece as seguintes condições para os membros da igreja:

1. Fé implícita no Evangelho e confiança sincera e de coração em Cristo como o único e divino Salvador (At 16:31);
2) Submeter-se ao batismo nas águas como testemunho simbólico da fé em Cristo;
3) Confessar verbalmente essa fé. (Rm. 10:9,10.).

No entanto, devemos distinguir entre a igreja invisível, composta dos verdadeiros cristãos de todas as denominações, e a igreja visível, constituída de todos os que professam ser cristãos - a primeira, composta daqueles cujos nomes estão escritos no céu; a segunda, compreendendo aqueles cujos nomes estão registrados no rol de membros das igrejas. (Mt. 13:36-43,47-49.) O apóstolo Paulo expressa a mesma verdade quando compara a igreja a uma casa na qual há muitos vasos, uns para honra e outros para desonra. (2 Tm. 2: 19-2)

IV A OBRA DA IGREJA

1. Pregar a salvação (racional)
A obra da igreja é pregar o Evangelho a toda criatura (Mt. 28: 19,20), e explanar o plano da salvação tal qual é ensinado nas Escrituras. Cristo tornou acessível a salvação por provê-Ia; a igreja deve torna-Ia real por proclama-Ia.

2. Prover meios de adoração (espiritual)
A igreja deve ser uma casa de oração para todos os povos, onde Deus é cultuado em adoração, oração e testemunho.

3. Prover comunhão religiosa (social)
O homem é um ser social: ele anela comunhão e intercâmbio de amizades. É natural que ele se congregue com aqueles que participam dos mesmos interesses. A igreja provê uma comunhão baseada na paternidade de Deus e no fato de ser Jesus o Senhor de todos. É uma fraternidade daqueles que participam duma experiência espiritual comum.

4. Sustentar uma norma de conduta moral
A igreja é "a luz do mundo", que afasta a ignorância moral; é o "sal da terra", que a preserva da corrupção moral. A igreja deve ensinar aos .homens como viver bem, e a maneira de se preparar para a morte.

V. AS ORDENANÇAS DA IGREJA

Há duas cerimônias que são essenciais, por serem divinamente ordenadas, a saber, o batismo nas águas e a ceia do Senhor. Em razão do seu caráter sagrado, elas são descritas como sacramentos. Também são elas mencionadas como ordenanças porque são "ordenadas" pelo próprio Senhor.

1. O Batismo.
o O modo . A palavra "batizar", é usada na fórmula de Mateus 281920 significa literalmente mergulhar ou imergir. Essa interpretação é confirmada por eruditos da língua grega e pelos historiadores da igreja

o A fórmula. "Batizando-os em nome do Pai, e do Filho e do Espírito Santo (Mt. 28:19)

o O recipiente. Todos os que sinceramente se arrependem de seus pecados e exercita uma fé viva no Senhor Jesus, são elegíveis para o batismo. Visto que os infantes não têm pecados de que se arrepender e não podem exercer a fé, logicamente são excluídos do batismo nas águas. Com isso não os estamos impedindo que venham a Cristo (Mt. 19: 13,14), pois eles podem ser consagrados a Jesus em culto público.

o A eficácia. O batismo nas águas, em si não tem poder para salvar; as pessoas são batizadas, não para serem salvas, mas porque já são salvas. Portanto não podemos dizer que o rito seja absolutamente essencial para a salvação. Não podemos insistir em que seja essencial para integral obediência a Cristo. Como a eleição do presidente da nação se completa pela sua posse do governo, assim a eleição do convertido pela graça e pela glória de Deus se completa por sua pública admissão como membro da igreja de Cristo.

2. A Ceia do Senhor - Pontos Principais.
 Comemoração. Cada vez que um grupo de cristão se congrega para celebrar a Ceia do Senhor, estão comemorando dum modo especial, a morte expiatória de Cristo que os libertou dos pecados.

 Instrução . A Ceia do Senhor é uma lição objetiva que expõe os dois fundamentos do evangelho, a encarnação e a expiação.

 Inspiração. Os elementos, especialmente o vinho, nos lembram que pela fé podemos ser participantes da natureza de Cristo, isto é ter comunhão com ele.

 Segurança. "Este cálice é o Novo Testamento no meu sangue". A nova aliança instituída por Jesus é um pacto de sangue. Deus aceitou o sangue de Cristo (Hb. 9:14-24); portanto comprometeu-se por causa de Cristo, a perdoar e salvar todos os que vierem a ele. O sangue de Cristo é a divina garantia de que ele será benévolo e misericordioso para aquele que se arrepende. A nossa parte nesse contrato é crer na morte expiatória de Cristo. (Rm. 3:25-26.) Depois, então, podemos testificar que foram aspergidos com o sangue da nova aliança. (1 Pd. 1 :2.)

 Responsabilidade. Quem deve ser admitido ou excluído da mesa do Senhor? Paulo trata da questão em 1 Co. 11:23-34. Quer isso dizer que somente aqueles que são dignos podem chegar-se à mesa do Senhor? Então, todos nós estamos excluídos! Pois quem dentre os filhos dos homens é digno da mínima das misericórdias de Deus! Não, o apóstolo não está falando a cerca da indignidade das pessoas, mas da indignidade das ações. Sendo assim, por estranho que pareça é possível a uma pessoa indigna participar dignamente. E em certo sentido, somente aqueles que sinceramente sentem a sua indignidade estão aptos para se aproximar da Mesa; os que se justificam a si mesmos nunca serão dignos. Outrossim, nota-¬se que as pessoas mais profundamente espirituais são as que mais sentem a sua indignidade. Paulo descreve-se a si mesmo como o "principal dos pecadores" (1Tm. 1:15).

3. O Dízimo
Ml 3:10

1. Definição – a palavra dízimo em hebraico é maser, que significa a décima parte;

2. Na Lei de Deus, os israelitas tinham a obrigação de entregar a décima parte da cria dos animais domésticos, dos produtos da terra e de outras rendas como reconhecimento e gratidão pelas bênçãos divinas. (Lv 27:30-32);

3. O dízimo era usado primariamente para cobrir as despesas do culto e para o sustento dos sacerdotes. Deus considerava o seu povo responsável pelo manejo dos recursos que Ele lhes dera na terra prometida ( Mt 25:15);

4. A idéia básica do dízimo é que Deus é o dono de tudo (Êxodos 19:5);

5. Os seres humanos foram criados por Ele, e à Ele devem o fôlego da vida (Gênesis 1:26,27);

6. Sendo assim, ninguém possui nada que não haja recebido originalmente do Senhor ( Jô 1:21);

7. Nas leis sobre o dízimo, Deus está simplesmente ordenando que os seus filhos lhe devolvam parte daquilo que Ele já lhes tem dado;

8. Além dos dízimos, os israelitas eram instruídos a trazer numerosas oferendas como o holocausto (Levíticos 1:6,8,13), a oferta de manjares (Levíticos 2:6,14-23), a oferta pacífica (Levíticos 3:7,11-21), a oferta pelo pecado (Levíticos 4:1); a oferta pela culpa (Levíticos 5:14). Além das ofertas prescritas, os israelitas podiam apresentar outras ofertas voluntárias ao Senhor. Algumas destas eram repetidas em tempos determinados, ao passo que outras eram ocasionais. Quando por exemplo os israelitas empreenderam a construção do Tabernáculo no monte Sinai, trouxeram liberalmente suas oferendas para a fabricação da tenda e de seus móveis. Ficaram tão entusiasmados com o empreendimento que Moisés teve de ordenar que cessassem as oferendas (Êxodos 36:3-7);

9. Devemos lembrar que tudo quanto possuímos pertence a Deus;

10. Devemos servir ao Senhor de todo o coração,e não ao dinheiro (Mateus 6:19-24);

11. A cobiça é uma forma de idolatria (Cl 3:5);

12. Nossos dízimos são destinados especialmente para promover o Reino de Deus:

o Para o ministério da Igreja e a evangelização (I Cor. 9:4-14);

o para ajudar aos necessitados (Gálatas 2:10);

o para aprendermos a temer a Deus (Deuteronômio 14:22,23).

1. Devemos dizimar com alegria (II Cor. 9:7);

2. A abstinência ao dízimo chama maldições (Malaquias 3:9);

3. A devolução do dízimo, desfaz as maldições do demônio devorador (Malaquias 3:11);

4. Deus promete nos recompensar com bênçãos, de conformidade com o que temos dado (Malaquias 3:10-12).

VI. A ORGANIZAÇÃO DA IGREJA

1. O governo da igreja.
O propósito de Deus era que houvesse uma sociedade de seus seguidores que comunicasse seu evangelho aos homens e o representasse no mundo. Nesse sentido ele ordenou os dois singelos ritos de batismo e comunhão. A organização originou-se das seguintes causas: primeira, oficiais da igreja foram escolhidos para resolver as emergências que surgiam, como, por exemplo, em atos 6:1-5; segunda, a possessão de dons espirituais separava certos indivíduos para a obra do ministério.

Vemos claramente que no Novo Testamento não há apoio para uma fusão das igrejas em uma máquina eclesiástica governada por uma hierarquia.

Nos dias primitivos não havia nenhum governo centralizado abrangendo toda a igreja. Cada igreja local era autônoma, pois administrava seus próprios negócios com liberdade. A autoridade de Paulo em relação as igrejas gentílicas era puramente espiritual, e não uma autoridade oficial tal como se outorga numa organização.

Embora que cada igreja fosse independente da outra, quanto à jurisdição, as igrejas do Novo Testamento mantinham relações cooperativas umas com as outras, mesmo tendo governo próprio, não por uma organização política que as reunisse todas elas, mas por uma comunhão fraternal mediante visitas de delegados, intercâmbio de cartas, e alguma assistência recíproca indefinida na escolha e consagração de pastores. (Rm. 15:26,27; 2Co.8:19; GI2:10; Rm. 15:1; 3 Jo. 8.)

1. Tipos de governo.

1. Igreja Nacional . Um exemplo é o da igreja Luterana nos países escandinavos.
2. Igreja Hierárquica Igreja Católica Romana.
3. Governo Federal. Sistema presbiteriano, em que a congregação investe de autoridade uma junta de presbíteros e, ocasionalmente, diáconos.
4. Congregacional. Como os batistas, em que a congregação decide a maioria de seus assuntos.

2. O Ministério da igreja
No Novo Testamento são reconhecidas duas classes de ministério:

 O ministério geral e profético - geral, porque era exercido com relação às igrejas de modo geral mais do que em relação a uma igreja particular, e profético, por ser criado pela possessão de dons espirituais.

 O ministério local e prático - local porque era limitado a uma igreja, e prático, porque tratava da administração da igreja.

A) O ministério geral e profético.

o Apóstolos. Eram homens que receberam sua comissão do próprio Cristo em pessoa (Mt. 10:5; GI. 1:1).Os apóstolos levavam sua mensagem aos incrédulos (GI. 2:7,8)

o Profetas. Eram os dotados do dom de expressão inspirada. Os profetas viajavam de igreja em igreja, não obstante, cada igreja tinha profetas que eram membros ativos dela.

o Evangelistas . O evangelista reúne, ajunta. Ele também vai a igreja para evangelizar os santos. É, também um pregador do evangelho, diferente do mestre, pois fala pelo espírito para provocar uma resposta do coração.

o Pastores. A palavra grega para pastor é a mesma que define pastor de ovelhas. Um pastor cuida do rebanho das ovelhas de Deus. O pastor fornece educação, alimento, cuidado e proteção.

o Mestres. Eram os dotados de dons para exposição da palavra. Tal qual os profetas, muitos deles viajavam de igreja em igreja.

B) O ministério local e prático.
O ministério local. que era nomeado pela igreja, à base de certas qualidades (1 Tm. 3) incluía os seguintes: 1) Presbíteros ou anciãos. aos quais foi dado o título de ‘bispo", que significa supervisor, ou que serve de superintendente. Exerciam a superintendência geral sobre a igreja local, especialmente em relação ao cuidado pastoral e à disciplina. Seus deveres eram, geralmente de natureza espiritual. Às vezes se chamam "pastores". (Ef.4: 11, At. 20:28).

Durante o primeiro século cada comunidade cristã era governada por um grupo de anciãos ou bispos de modo que não havia um obreiro só fazendo para a igreja o que um pastor faz no dia de hoje. No princípio do terceiro século colocava-se um homem à frente de cada comunidade com o título de pastor ou bispo.

2) Associados com os presbíteros havia um número de obreiros ajudantes chamados diáconos (At. 6:1-4, 1Tm. 3:8-13, FiI.1:1) e diaconisas (Rm. 16:1, Fl. 4:3), cujo trabalho parece, geralmente ter sido de visitar e exercer o ministério prático entre os pobres e os necessitados (1Tm. 5:8-11). Os diáconos também ajudavam os anciãos na celebração da Ceia do Senhor.

VII. PROPÓSITOS DA IGREJA

1. Glorificar a Deus
2. Evangelizar
3. Produzir crentes. Maduros e santos
4. Cuidar das necessidades de seus membros
5. Praticar o bem no mundo

Que cada um de nós possamos fazer parte desta Igreja que vai morar nos céus eternamente na presença de Deus; e que Ele nos ajude perseverar até o momento em que os anjos tocarão as trombetas nas nuvens dos céus e assim estaremos para sempre com o Senhor. Amém.

Nenhum comentário:

Postar um comentário